1 INTRODUÇÃO 2 OS AMERÍNDIOS 2.1 ANTIGAS HIPÓTESES 2.2 HIPÓTESES MAIS RECENTES 3 OS ÍNDIOS DO BRASIL NOS PRIMEIROS SÉCULOS 3.1 BENS MATERIAIS 3.2 A NUDEZ 3.3 POVO-CRIANÇA 3.4 O TRABALHO 3.5 A CATEQUIZAÇÃO 3.6 A ESCRAVIZAÇÃO 4 OS ÍNDIOS DO BRASIL NO SÉCULO XX 4.1 DIVERSIDADE FÍSICA 4.2 DIVERSIDADE LINGUÍSTICA 4.3 DIVERSIDADE CULTURAL 5 SUBSISTENCIA 5.1 CAÇA 5.2 PESCA 5.3 COLETA 5.4 AGRICULTURA 5.5 CRIAÇÃO DE ANIMAIS 5.6 ARTESANATO 5.6.1 Decadência 5.7 MEDICINA 6 ÍNDIOS ISOLADOS 7 QUANTOS SÃO E ONDE ESTÃO OS ÍNDIOS HOJE 8 A POLÍTICA INDIGENISTA OFICIAL 8.1 A CONSTITUIÇÃO DE 1988 9 A REALIDADE 10 CONCLUSÃO REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
"e por ventura precisais de muito?
- Sim, respondi-lhe, pois no nosso país existem negociantes que possuem mais panos, facas, tesouras, espelhos e outras mercadorias do que podeis imaginar e um só deles compra todo o pau-brasil com que muitos navios voltam carregados.
- Ah! Retrucou o selvagem [?], tu nos contas maravilhas -, acrescentando depois de bem compreender o que eu lhe dissera: - mas esse homem tão rico de que me falas não morre?
- Sim, disse eu, morre como os outros.
Os selvagens são grandes discursadores, e costumam levar qualquer assunto até o fim, por isso perguntou-me de novo: - e quando morrem para quem fica o que deixam?
- Para seus filhos se os têm, - respondi, - na falta deles para os irmãos ou parentes mais próximos.
- Na verdade, - continuou o velho, que, como vereis, não era nenhum tolo - agora vejo que vós outros mairs sois grandes loucos, pois atravessais o mar e sofreis grandes incômodos, como dizeis quando aqui chegais, e trabalhais tanto para amontoar riquezas para vossos filhos ou para aqueles que vos sobrevivem. Não será a terra que vos nutriu suficiente para alimentá-los também? Temos pais, mães e filhos a quem amamos; mas estamos certos de que depois da nossa morte a terra que nos nutriu também os nutrirá, por isso descansamos sem maiores cuidados". (MESGRAVIS, 1994, p. 29)
| Áreas Culturais | Sociedades Indígenas |
| Norte-Amazônica | Arikyana, Apalay, Makuxi, TaulipaWng, Waiãpi, Aiwai, Kulina, Waiká, Tukano, Baniwa, Maku e Kobewa. |
| Juruá-Purus | Apurinã, Paumari, Yamamadi, Kaxinawá,
Katukina e Yaminawá
Guaporé Txapakura, Tupari e Nambikwára |
| Tapajós-Madeira | Munduruku, Mawé, Kayabi, Kawahib e Arara |
| Alto-Xingu | Kalapálo, Bakairi, Kamayurá, Suyá, Txikão, Waurá, Kreen-Akarôre |
| Tocantins-Xingu | Bororo, Karajá, Parakanã, Kayapó, Canela, Krahô, Xerente e Assurini |
| Pindaré-Gurupi | Tembé, Urubu-Kaapor, Guajajara, Guajá |
| Paraguai | Terena e Kadiwéu |
| Paraná | Nandeva, Guarani, Kaiowá |
| Tietê-Uruguai | Kaingang, Xetá, Xokleng |
| Nordeste | Fulniô, Potiguára, Maxakali, Kariri, Atikum, Tremembé, Xokó e Pankararu |
| Estados | Sociedades Indígenas | População |
| Acre | Arára, Asheninka, Huniquim,Katukina do Acre, Manitenéri, Maxineri, Poyanáwa, Yaminawá, Yawanáwa, Makuráp, Apurinã, Katukína, Kulina, (Venezuela/Colombia) Amawáka (Peru), Kaxinawá (Peru) | 6.610 |
| Alagoas | Jerinpancó, Karapotó, Kariri-Xocó, Tingui-Botó, Wassú, Xucurú-Karirí | 4.917 |
| Amapá | Galibí Marworno, Karipúna, Palikur, Waiãpi, Galibí (Guiana Francesa) |
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| Amazonas | Banavá-Jafí, Caixana, Corvana, Dení, Diahói, Himarimã, Hixkaryana, Issé, Jarawára, Juma, Kambéba, Kanamatí, Kanamari, Katawixi, Kokáma, Korubo, Marúbo, Matis, Mayorúna, Miranha, Múra, Múra-Pirahã, Nukuíni, Parintintín, Paumarí, Sateré Mawé, Taríana, Tenharín, Tikúna, Torá, Tshom-Djapá, Tukano, Wamiri, Yamamadí, Yabaána, Zuruahã, , Maku, Warekéna (Venezuela), Karafawyána Sakiribar, Apurinã, Katukína/ Kulina, (Venezuela/Colômbia), Makú (Colômbia), Baníwa (Colômbia/Venezuela), Baré (Venezuela), Katuena, Mawayana, Munduruku, Xeren, Vitotó (Peru), Atroarí, Yanomámi, Waiwai, Kaxarari. |
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| Bahia | Aricobé, Gerén, Kaimbé, Kantaruré, Kirirí, Pankararé, Pankaru, Pataxó, Pataxó ha hã hãe, Xucurú -Kariri, Pankararú, Tuxá. |
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| Ceará | Calabassa, Jenipapo Kanindé,
Karirí, Paiaku, Pitaguari, Tapeba, Tabajara, Tremenbé. 4.650
Espírito Santo Tupiniquim, Guarani M' Biá. |
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| Goiás | Tapuia, Avá- Canoeiro, Karajá |
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| Maranhão | Canela, Guajá, Guajajára, Kokuiregatejê, Kreye, Krikatí, Urubu -Kaapor, Gavião. |
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| Mato Grosso | Apiaká, Arára do Aripuanã, Arará do Guariba, Awetí, Bakairí, Bororo, Enawenê-Nawê, Irántxe, Kalapálo, Kamayurá, Kuikúro, Matipú, Mehináku, Ofayé, Panará, Paresí, Rikbaktsa, Suyá, Tapirapé, Tapayuna Trumaí, Txikão, Umutína, Waurá, Xavante, Yawalapití, Kadiwéu, Jurúna, Kayabí, Kaypó, Cinta Larga, Zoró, Itogapúk, Nambikwára, Suruí, Karajá. |
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| Mato Grosso do Sul | Camba, Guató, Kadiwéu,
Guarani-Nhandeva, Guarani- Kaiwá, Terena.Kaiwá, Terena
45.259
Minas Gerais Kaxixó, Krenak, Maxakali, Xakriabá |
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| Pará | Amanayé, Anambé, Apalaí Arára do Pará, Araweté, Asuriní do Trocará, Asuriní do Koatinemo, Kaxuyána, Parakanã, Suruí do Pará, Tiryó, Turiwára, Warikyána, Wayâna, Xipáya, Zo'é, Tembé, Karafawyána, Katuena, Mawayana, Munduruku, Xeren, Jurúna, Kayabí, Kayapó, Gavião, Waiwai, Karajá, Kuruáya. |
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| Paraíba | Potiguára |
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| Paraná | Guarani - Nhandeva, Guarani M' Biá, Kaingáng, Xetá. |
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| Pernambuco | Atikum, Fulniô, Kambiwá, Kapinawá, Truká, Xukurú, Pankararú, Tuxá |
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| Rio de Janeiro | Guarani-M 'Biá |
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| Rio Grande do Sul | Kaingáng |
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| Rondônia | Aikaná, Ajuru, Akuntsu, Arará, Arikapú, Arikém, Aruá, Awakê, Gavião, Jabutí, Kanoê, Karipúna do Guaporé, Karitiána, Koaia, Mekém, Pakaánova Paumelenho, Tuparí, Uarí, Urueuwauwau, Urubu, Urupá, Cinta-Larga, Zoró, Itogapúk, Nambikwára, Suruí, Sirionó (Bolívia), Kaxarari, Makurap, Sakiribar. |
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| Roraima | Ingarikó, Makuxí, Mayongóng, Taulipáng, Wapixána, Atroarí, Yanomámi, Waiwai |
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| Santa Catarina | Xokléng, Guarani-M' Biá, Kaingáng |
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| São Paulo | Guarani- Nhandeva, Guarani M'Biá, Kaingáng, Terena. |
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| Sergipe | Xocó |
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| Tocantins | Apinayé, Javaé, Krahô, Xambioá, Xerente, Avá Canoeiro, Karajá. |
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| Total | ----------------------------------------------------------- |
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"Nossas terras são invadidas, nossas terras são tomadas, os nossos territórios são invadidos...
Dizem que o Brasil foi descoberto, o Brasil não foi descoberto não, Santo Padre, o Brasil foi invadido e tomado dos indígenas do Brasil. Essa é a verdadeira história..." (Marçal Tupã-i - julho de 1980).
A voz aguda disparando frases contundentes por entre os dentes restantes, sustentados por um corpo franzino de um pouco mais de um metro e meio de altura,
ecoou forte entre a platéia que rodeava o Papa João Paulo II, naquela tarde tropical do dia 01 de julho de 1980 em Manaus. Marçal de Souza Tupã-i, índio Guarani, não estava contando nenhuma novidade. Estava apenas pedindo ao Brasil e ao mundo que deixasse de contar as mentiras referentes à história dos povos deste continente. Que não apenas fossem reconhecidos os erros cometidos, mas que se interrompesse essa prática de violência, discriminação e massacre dos povos indígenas, para se construir uma sociedade de respeito e diálogo igualitário, de reconhecimento das culturas e dos territórios indígenas, de convivência em paz e harmonia, sem subjugação e exploração. Certamente ele estava pedindo demais. Quatro anos depois foi assassinado em sua casa no Mato Grosso do Sul, defendendo um pedaço de terra para seu povo". (http://www.cimi.org.br /itaici99.htm)
AZANHA, Gilberto; VALADÃO, Virgínia Marcos. SENHORES DESTAS TERRAS. Os povos indígenas no Brasil: da colônia aos nossos dias. São Paulo: Editora Atual.
CARMO, Sonia I. S. do; COUTO, Eliane. HISTÓRIA passado e presente. São Paulo: Atual Editora Limitada, 1994.
HENRIQUES, Karyn N. R. A experiência dos Xokleng na cidade de Blumenau. Blumenau: PPGAS/UFSC, 1999.
LOPES, Luis Roberto. HISTÓRIA DO BRASIL COLONIAL. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1992.
LUGON, C. A República comunista cristã dos guaranis 1610/1768. Rio de Janeiro: Editora Paz e Terra LTDA, 1968.
MESGRAVIS, Laima. O Brasil nos primeiros séculos. São Paulo: Contexto, 1994.
MIRANDA, Fernando Marquez. OS ABORÍGENES
DA AMÉRICA DO SUL. São Paulo: Gráfica Editora
Brasileira Ltda, 1954