História Antiga

 
 
 
 
 



Algumas considerações sobre a História

==> A História serve, antes de mais nada, para nos proporcionar conhecimentos sobre a evolução da humanidade, possibilitando uma perspectiva do futuro, com base em fatos passados
==> Todos os fatos tem uma origem, uma causa, e em conseqüência daí surge a sua história.
 ==>O homem faz a história, e, a história imortaliza os feitos do homem.
 ==>História é a ciência do homem no tempo e no espaço, porque a História, normalmente sempre faz referências à datas ou eras e locais ou regiões onde ocorreram os fatos.
 ==>A história é conhecimento mutilado: Com o passar do tempo, muitos dados se perderam, nas grandes catástrofes, como o dilúvio, as guerras, etc., deixando alguns fatos obscuros.
 ==>A história é limitada, pois nunca atinge o passado em sua totalidade.

==>Heródoto è é considerado o pai da história.

==> Não existe a verdade histórica, e sim, verdades históricas, de acordo com a época em que a História é produzida.


Divisão dos períodos históricos

· A escrita surgiu ± 4.000 a. C.
· Antes temos a Pré-História (milhões de anos)
· História Antiga ± 4.000 a. C. <==> 476 d. C. (± 4476 anos)
· História Medieval   476 <==>  1453 (977 anos)
· História Moderna   1453 <==> 1789 (336 anos)
· História Contemporânea 1789 <==> Hoje


O Surgimento do Estado faraônico no Egito
Entre o Neolítico pleno e o surgimento do reino unificado  se passaram dois milênios e meio, ou dois milênios, segundo alguns autores (entre 5000 e 3000). A partir da fase de El-Badari (4500-4000) que inaugura o Período Pré-Dinástico, já surgem alguns objetos de cobre martelado. Porém por muito tempo o modo de vida das aldeias permaneceu inalterado.
Nos últimos séculos do Período Pré-Dinástico (final do quarto milênio), que mudanças sociais maiores são perceptíveis, caracterizando a fase gerzeense ou de  Nagada II.
Hieracômpolis, bem ao sul do Vale do Nilo egípcio, tinha no final do Período Pré-Dinástico uma população importante, em aglomerações fortificadas, um templo prestigioso e boas condições para a irrigação baseada nos tanques ou bacias formadas e fertilizadas pelo rio.
A diversificação dos graus de riqueza das tumbas, mostra na segunda metade do quarto milênio, uma população socialmente estratificada. Há sinais também de conflitos com a Núbia (continuação do Vale do Nilo ao sul do Egito), que podem ter favorecido localmente a passagem de formas mais difusas de poder a grupos militares definidos com numerosos dependentes.
Não é só em Hieracômpolis a diferenciação social naquela época.
Anteriormente as tumbas maiores e mais ricas eram espalhadas nos cemitérios, nos últimos séculos do quarto milênio, tenderam a serem agrupadas e mais ricas ainda.
Sistemas Locais de Poder
Existem provas indiretas de sistemas locais de poder consideráveis, centenas de anos antes da unificação do país: existência de artesãos de alta qualificação (grande quantidade de objetos cerimoniais e vasos de pedras duras ou de alabastro); celeiros de grande capacidade; passagem do cobre martelado a frio à metalurgia (supunha a exploração de minas), transporte e armazenagem de minério, construções como as de Hieracômpolis que exigiram para sua ereção um sistema de distribuição de rações aos trabalhadores e, portanto, algum sistema de tributos (armazenar excedentes).
As obras de irrigação, eram da alçada local, não podem ser consideradas como causa direta da formação do Estado. Elas parecem ligadas porém  à formação de cerca de 40 entidades territoriais (spat ou nomos) que mais tarde funcionariam como províncias do reino unificado.



As forças produtivas

A um logo período do cobre endurecido com arsênico, seguiu-se a fase inicial do bronze no Reino Médio, parece que através da importação de lingotes prontos, ou na fusão de  minérios contendo cobre e estanho, sendo que o uso do cobre continuava persistindo amplamente. Depois, a fase plena do bronze, resultante da introdução por invasores asiáticos (hicsos), de técnicas mais aperfeiçoadas de metalurgia. Embora o ferro fosse conhecido desde a segunda metade do II milênio a.C., sua produção só teve importância no Egito, com a invasão dos assírios no século VII a.C. A população egípcia, a superfície cultivada, e o nível do Nilo e de suas cheias, variaram em  fases perceptíveis. A população aumentou ou diminuiu conforme as épocas, mudando sua  distribuição espacial. O sistema de irrigação, inicialmente baseado nas bacias naturais do rio, foi-se  complicando e aperfeiçoando ao longo dos séculos, para adaptar-se à pressão populacional, criando
maior superfície cultivável. Ao mesmo tempo em que as técnicas de irrigação mudaram, as de cultivo e colheita  permaneceram inalteradas, por serem adequadas às condições da agricultura egípcia. Estudos realizados por Butzer, constataram que houve maior densidade demográfica no  vale do que no delta, e ocorrência de diminuição da população nas épocas de divisão e anarquia  política.
O sistema de irrigação egípcio, era muito diferente do sistema mesopotâmico, pois as  condições naturais eram diversas nos dois casos. A cheia do Nilo, é mais regular e favorável em seu  processo e nas suas datas, do que a do Tigre e a do Eufrates, e também menos destruidora. Sua  fase principal tem início em julho e, nos meses de maior calor, o solo arável é coberto pela água,  sendo protegido enquanto é fertilizado. Quando as terras voltam a emergir, em fins de outubro, ou  em novembro, é o momento adequado à semeadura. Da colheita (abril-maio), até a próxima cheia,  havia tempo suficiente para a limpeza e conserto das instalações de irrigação. Normalmente não  eram necessárias as obras de proteção essenciais na Mesopotâmia. Embora a agricultura irrigada egípcia, não permitisse mais de uma colheita anual, os rendimentos eram satisfatórios na maioria  dos anos.
O vale e o delta do Nilo são autodrenados após os meses de inundação. Durante a cheia, o  rio invade uma série de tanques naturais interconectados, que formam conjuntos independentes  quanto à entrada e saída de água. No inicio do período histórico, a agricultura irrigada herdada do  Pré-dinástico, começou a criar redes de canais pequenos para melhor distribuir a água pelos  campos. As hortas situadas nas terras mais altas deviam ser regadas com água transportada em potes, pois foi só no século XIV a.C. que foi introduzido o shaduf, mecanismo para elevação de  água, baseado no sistema de contrapeso.
Devida à dependência das cheias, quando se fazia a avaliação do solo cultivável, para  estabelecimento do imposto, havia distinção entre a "terra alta", mais extensa, habitualmente  produtiva para cereais, mas que podia ficar a seco em anos de pouca inundação; e a "terra baixa", que sempre era inundada. As vezes era considerado um terceiro elemento, as "ilhas", que funcionavam como "terra baixa", mas   eram consideradas propriedades do rei, muitas delas eram ocasionais, e não constituíam traços permanentes da topografia do vale.
O controle do sistema egípcio de irrigação era local, ao nível das "províncias", chamadas de  spat ou mais comumente de nomos, ou mesmo ao nível das aldeias. Não há sinais de grandes obras de irrigação sob controle do governo central até o Reino Médio, quando a unificação do Egito já tinha um milênio de existência. O estabelecimento de reservas de alimentos para redistribuição em caso de necessidade, citado no velho Testamento (Gênesis, capítulos 41 a 43), baseadas na rede de celeiros dos templos, só se verifica durante o Reino Novo (segunda metade do II milênio a.C.).
Verifica-se que tanto no Egito, como  na Mesopotâmia, a agricultura irrigada, ao permitir o aumento da população e a produção de excedentes, foi condição essencial para o surgimento da civilização faraônica, o que derruba a "hipótese causal hidráulica", pois o controle da irrigação era local, e só mais tarde o Estado assumiu as grandes obras no setor, sem no entanto mudar o caráter local da organização hidráulica.
Podemos considerar três fases principais em que houveram inovações tecnológicas: 1. Durante o IV milênio a.C., e início do III milênio (até cerca de 2700 a.C.), surgiram  algumas técnicas básicas da civilização egípcia, tais como: técnicas agrícolas e de pecuária;  metalurgia do cobre, persistindo o uso da pedra e da madeira na confecção dos instrumentos agrícolas; torno lento para a cerâmica; o tear horizontal; construções em tijolo e, no final do período, em pedra; navegação a remo e vela; escrita e aritmética; etc. 2. Durante o Reino Médio (2040-1640 a.C.), houve uma difusão do uso do bronze, no  Segundo Período Intermediário (1640-1550 a.C.), houve a introdução pelos asiáticos hicsos, de métodos avançados de metalurgia do bronze, torno rápido para fabricação da cerâmica, tear vertical (mais eficiente), gado zebu, cavalo, novas frutas e legumes, bem como técnicas militares (arco composto, carro), que possibilitaram as conquistas do Reino Novo na Ásia.
3. No século VII a.C., com a ocupação assíria, difundiu-se o uso do ferro, popularizando no Egito, os instrumentos metálicos, até então raros e caros.
É visível um nítido atraso na evolução da tecnologia egípcia, em comparação com a da Ásia Ocidental: o baixo nível das forças produtivas era compensado através do emprego maciço de uma mão-de-obra abundante. Segundo registros encontrados em documentos dos tempos faraônicos, a ocorrência de cheias demasiado baixas, ou altas demais, podia ocasionar catástrofe e fome.
Descrição das principais atividades econômicas:
A economia egípcia baseava-se principalmente na união da agricultura e da pecuária, que no entanto eram separadas do ponto de vista administrativo. O Egito legou-nos uma riquíssima  iconografia, que nos facilita a descrição das atividades de produção e transporte.
Cultivava-se principalmente o trigo duro (emmer) para o pão, a cevada para a cerveja, e o linho para o vestuário. Normalmente o a semeadura era feita na terra ainda mole, logo após o refluxo da cheia anual. O arado de madeira, bastante leve, abria os sulcos, e o gado menor pisoteava o campo para enterrar as sementes. Se à época da semeadura, a terra  estivesse seca, a enxada e o arado eram utilizados para abrir sulcos, homogeneizar a terra e enterrar os grãos. Entre a semeadura e a colheita, a umidade do solo, impregnado durante a cheia, era  suficiente par ao crescimento das plantas. Os camponeses podiam assim dedicar-se à produção de  legumes e verduras diversas, uva para o vinho, e frutas variadas.
A colheita era feita com uma foice primitiva: um crescente de madeira com lâminas de  sílex inseridas, com a qual o talo dos cereais era cortado. O linho era arrancado. O grão e a palha eram arrancados fazendo-se com que o gado pisoteasse as espigas. Os grãos resultantes eram  peneirados, limpos e, em seguida armazenados em celeiros.
Os animais domésticos mais comuns eram os bois, asnos, carneiros, cabras, porcos, aves  diversas e, após a invasão dos hicsos, os cavalos. Os bovinos eram utilizados principalmente para o  tiro e para a produção de leite; a carne era um alimento de alto luxo, raramente disponível para os  menos favorecidos.
Os pastos, normalmente se localizavam em terras pantanosas. O rebanho era melhorado  através da importação de reprodutores (da Núbia e Ásia), como na Mesopotâmia. A criação tinha  duas fases: na primeira, os animais ficavam em liberdade; na segunda, eram selecionados alguns  para a engorda, e encerrados. Praticava-se a pesca no Nilo, nos canais, e nos pântanos, empregando-se métodos variados (anzol, rede, nassa, arpão). O consumo popular de peixe era grande, especialmente seco.
Entre os privilegiados, porém, esse consumo sofria certas limitações de cunho religioso. A caça era praticada como esporte, nos pântanos e nos desertos, para prover a mesa dos poderosos, e renovar a criação de aves.
Atividades Extrativas
Extraía-se o barro do Nilo, para a fabricação de cerâmica; o papiro, para a fabricação de material para a escrita, entre outras utilidades; juncos e caniços para fabricar cestos e móveis populares; e a madeira de qualidade inferior (sicômoros, palmeiras e acácia, etc.) disponível no Egito.
O artesanato dependia das matérias-primas fornecidas pela coleta e agricultura: tijolos e vasilhas de argila; fabricação diária de pão e cerveja; vinho; fiação e tecelagem do linho; indústrias do couro, papiro, e madeira..
Ao contrário da Mesopotâmia, o Egito contava com fácil abastecimento de pedras para  construção e estatuária, gemas semipreciosas e minérios (ouro, cobre, chumbo, e provavelmente  estanho).
Certas matérias-primas, como a madeira de cedro, e o lápis-lazuli, tinham de ser  importadas. A organização artesanal fazia-se em dois níveis. Nas aldeias, os camponeses  fabricavam seus instrumentos de uso corrente, não tendo em geral, acesso aos produtos do  artesanato de alta qualidade, que concentrava-se em oficinas normalmente grandes, instaladas nos  palácios, templos, e grandes domínios rurais.
O faraó exercia o monopólio sobre a exploração de minas e pedreiras, bem como sobre as  grandes construções e obras públicas. Nos relevos das tumbas, há indícios da existência de um pequeno comércio local baseado  no escambo.
Haviam especialidades regionais: Sais, centro têxtil; o delta tinha os melhores vinhedos e  os melhores rebanhos; Mênfis, metalurgia, etc.). Pelo Nilo, circulavam barcos às vezes de grande porte, mas a circulação de mercadorias, fazia-se principalmente, por conta do sistema econômico estatal. Nas transações importantes, usava-se um padrão de referência, constituídos por pesos de metal (cobre, prata), mas o pagamento efetivo, podia ser feito com objetos diversos. O comércio de longo curso, servia para importar matérias-primas e objetos de luxo, bem como artigos para o culto religioso, normalmente organizava-se através de expedições ordenadas pelo rei ou pelos templos. Propriedade e relações de produção: Interpretação das estruturas econômico-sociais O Egito foi o primeiro reino unificado da História. Na Mesopotâmia, os frutos da  civilização foram partilhados entre diversas cidades-Estados e, dentro destas, entre vários frutos  sociais, embora desigualmente. No Egito, os frutos concentraram-se quase só na corte real e,  secundariamente nos centros regionais de poder. Na Mesopotâmia o comércio cedo começou a  servir à acumulação de riquezas privadas; no Egito, as atividades comerciais importantes  permaneceram muito mais tempo sob controle estatal, sem abrir as oportunidades sociais surgidas  na Mesopotâmia. O Egito unificado permaneceu, em sua base rural, uma sociedade baseada na  agricultura aldeã.

As estruturas básicas do Egito durante o III milênio a.C. e a primeira metade do II milênio  a.C.
O Egito era um reino centralizado, no qual o estado exercia um forte controle sobre a  economia do país. É possível descrever o sistema econômico-social egípcio em dois níveis. O  primeiro, e mais visível, era  o das estruturas econômico-sociais "estatais", baseava-se na extração  de excedentes de todas as comunidades locais, tanto urbanas quanto rurais, através do tributo em  produtos, e de trabalhos, na forma de "corvéia". O outro nível, maciçamente camponês, era o de  unidades domésticas, ou comunais, na maioria, auto-suficientes. Na medida em que não afetasse as  relações entre o Estado e seus súditos tributários, esta vida social local e consuetudinária, era  deixada em paz pelos funcionários da monarquia. O casamento, por exemplo, no antigo Egito,  nunca foi visto como uma instituição jurídica, mas sim, como uma prática social e privada, regida  pelo costume e desprovida de qualquer sanção religiosa ou pública.
Analisemos o setor "estatal" das estruturas econômico-sociais. O excedente recolhido das comunidades locais era armazenado para futura (e parcial)  redistribuição. Vários tipos de tributos eram acumulados com o: cereais, gado, alimentos diversos,  tecidos, etc. O complexo sistema de redistribuição variava deste rações distribuídas à trabalhadores não-qualificados e às pessoas submetidas à corvéia, até remunerações mais substanciosas aos  funcionários de todos os tipos (cortesãos, escribas, sacerdotes, etc.). Esse controle de estoque de  tributos, e dos trabalhos executados sugere uma boa organização burocrática. O trabalho de  corvéia, apesar de compulsório, era remunerado através da distribuição de rações. Não estamos afirmando que só existisse a propriedade do Estado. Surgiu uma rede coerente  de propriedades da coroa (terras do Tesouro, terras de propriedade pessoal do faraó, terras de  fundações reais), dos templos e possuídas em caráter privado (hereditárias e negociáveis), ou  através de funções públicas (não hereditárias, salvo se a função passasse de pai para filho)  exercidas por grandes funcionários. As terras dos templos eram parte do domínio do Estado,  embora possuindo considerável autonomia e gozando às vezes de muitas isenções; freqüentemente  eram administradas por funcionários que não eram sacerdotes, pois inexistiam barreiras separando os empregos civis e religiosos no interior do Estado egípcio. As propriedades privadas e "de  função", bem como as dos templos, pagavam impostos e deviam contribuir para o sustento do rei e  da corte.
Esse tipo de organização, muito centralizada, governava as relações entre Estado e súditos,  e não favorecia o surgimento de formas privadas de comércio. Na verdade, até meados do II  milênio a. C., inexistia  na língua egípcia um termo que significasse mercador. Consideraremos agora o outro polo das estruturas econômico-sociais egípcias: as  comunidades aldeãs. Havia três aspectos  fundamentais em que se manifestavam os princípios de  uma organização aldeã comunitária:
1. Existiam elementos de solidariedade econômico-social num sentido amplo: união entre artesanato e agricultura nas aldeias, mantendo a sua tendência autárquica; formas de crédito, de
transações comerciais e de presentes recíprocos (dons e contradons), entre as famílias, o controle social a nível local era deixado às instâncias das próprias comunidades urbanas ou rurais.
2. Havia  controle da irrigação e de aspectos específicos do ciclo agrário exercido por  órgãos comunitários locais: controle da água e das instalações de irrigação.
3. Aos órgãos derivados das próprias comunidades eram deixadas sob a vigilância e  controle dos poderes provinciais e do poder central. Amplas funções administrativas e judiciárias a  nível local: estes órgãos dirimiam disputas, intervinham em questões criminais e cíveis, regulavam e  registravam as transações e os atos ligados à herança, tinham vasta competência administrativa. Estes órgãos básicos que regulavam a ação comunitária eram chamados de conselhos locais.  Eram formados por membros da própria comunidade, por esta designados, e sua composição   podia variar de um dia para outro. Um dos títulos dos membros dos conselhos locais era o de  "ancião"; em outras ocasiões eram chamados de "notáveis", o que indica uma certa hierarquia  sociofuncional. Desde o final do Pré-dinástico tais comunidades já apresentavam nítida  hierarquização social interna, acentuada nos milênios seguintes.

Transformações ocorridas na segunda metade do II milênio a. C., e  no I milênio a. C. Esse sistema econômico  social persistiu durante a totalidade da história do Egito faraônico.  Mas existem vestígios de que algo mudou com a XVIII Dinastia. Essa mudança é explicada pelas  conquistas militares do Reino  Novo, que causaram um aumento do comércio, a introdução de  numerosos escravos, expansão da propriedade privada através de doações de terras a soldados, etc. Percebemos então nesse período, a existência de algum comércio privado dentro do Egito, e  destes com a Ásia e a Núbia, incluindo o tráfico de escravos. Verifica-se o surgimento do direito  privado, e o aperfeiçoamento dos meios de avaliar qualquer objeto em pesos de metal ou cereal  (embora o pagamento continuasse sendo feito com objetos diversos. Existem vestígios da presença  de milhares de prisioneiros de guerra e escravos obtidos com tributo servindo à coroa, aos templos,  a funcionários e, mesmo, a cidadãos privados. Pequenas parcelas de terras tornaram-se forma de  pagamento não apenas de atividades militares, como também de outras atividades profissionais,  mas, também o sistema de rações, continuou existindo, ao contrário da Mesopotâmia. As mudanças, se devem além da conquista, às transformações tecnológicas introduzidas no  período dos hicsos, e à introdução dos  shaduf, para elevação de água, no século XIV a.C. As  conseqüências e os detalhes dessas transformações, são ainda mal conhecidos. Apesar de tudo, a estrutura essencial do regime anteriormente descrito, não foi destruída.  Mesmo no Reino Novo, o serviço público, era que oferecia a única possibilidade de ascensão social (não se conhecem carreiras baseadas na riqueza privada ou na habilidade profissional fora do  serviço público, no antigo Egito). Ao nível das comunidades aldeãs, as transformações citadas tiveram um impacto que as  enfraqueceu, sem destruí-las. A existência das comunidades e sua ligação estreita com o controle  da irrigação persistiram no Egito tanto quanto o sistema de irrigação por tanques ou bacias, até o  século XIX d. C.
Resumo do livro: Sociedades do Antigo Oriente Próximo (Ciro Flamarion Cardoso)


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